Sorocaba e Região
Aluna de 12 anos sofre racismo e agressões dentro de escola estadual em Sorocaba, denuncia família
A família de uma aluna de 12 anos da Escola Estadual Joaquim Izidoro Marins, em Sorocaba (SP), registrou denúncia após a estudante ser vítima de racismo, bullying e agressões físicas dentro da unidade escolar. Segundo os responsáveis, os ataques teriam sido praticados por irmãos gêmeos, também estudantes da escola, e os episódios vêm ocorrendo de forma recorrente.
Entre as situações relatadas, a menina teve leite quente jogado no rosto, foi atingida com socos no rosto e alvo de injúrias raciais, sendo chamada de termos ofensivos como “macaca” e “vagabunda”.
Família relata agressões em sala e queda no rendimento escolar
De acordo com os pais, a direção da escola prestou atendimento à estudante e registrou as ocorrências internamente. O pai afirma que uma das gravações mostra os dois alunos se levantando durante a aula e agredindo a menina com socos dentro da sala, causando inclusive sangramento no nariz.
Mesmo após reuniões com a escola e novas tentativas de resolução, a família afirma que os episódios continuaram. Uma nova ocorrência teria sido registrada em 5 de março, agravando o estado emocional da estudante.
Desde então, segundo os familiares, a adolescente passou a apresentar isolamento social, dificuldade para falar sobre o caso e sinais de sofrimento emocional.
Além do impacto psicológico, a família relata que a vítima teve queda no rendimento escolar, deixou de participar de leituras em sala de aula e apresentou piora nas notas, chegando a ficar de recuperação no fim do ano letivo.
“Às vezes ela chora. Em outros momentos, nem aparenta estar chorando, mas os olhos estão escorrendo lágrimas. Isso preocupa muito a gente”, relatou o pai.
Mesmo após troca de sala, bullying e racismo continuariam nos intervalos
Após a última ocorrência, os irmãos gêmeos foram transferidos para outra sala, medida adotada pela escola como forma de afastamento.
No entanto, segundo a família, os estudantes ainda encontram a vítima durante os intervalos e momentos de circulação na escola, onde continuariam praticando racismo e bullying.
Os responsáveis afirmam ainda que os pais dos adolescentes foram comunicados em todas as ocorrências, inclusive em casos envolvendo outros alunos, conforme informado pela própria unidade escolar.
Seduc diz que acionou Conselho Tutelar e reforçou ações antirracistas
Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc) informou que repudia qualquer forma de discriminação e afirmou que adotou as medidas administrativas cabíveis assim que tomou conhecimento do caso.
Entre as providências citadas estão o acionamento do Conselho Tutelar, a realocação dos agressores, o acolhimento da vítima e de seus responsáveis e a oferta de apoio psicológico.
A pasta informou ainda que a escola intensificou as ações de prevenção e enfrentamento ao racismo e reforçou, junto à comunidade escolar de Sorocaba, o compromisso com políticas públicas antirracistas.

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