Shopping impede transexuais de irem ao banheiro feminino

Ao pedir bom senso às clientes, seguranças do mall disseram que mães estavam constrangidas

Reclamação. Thaylla, 28, e Giselle, 33, afirmam que houve “puro preconceito”; elas vão acionar Justiça

Duas transexuais foram impedidas de usar o banheiro feminino do ItaúPower Shopping, em Contagem, na região metropolitana, por seguranças do local. Filmada pelas vítimas, a situação virou caso de polícia e polêmica nas redes sociais. Thaylla Castanha, 28, e Giselle Castro, 33, pretendem levar o caso às “últimas consequências” e se dizem surpresas com a repercussão do episódio.

Até a noite desta quinta-feira (6), o vídeo já havia tido mais de 47 mil visualizações, e a página do centro de compras no Facebook recebeu mais de 700 comentários com cobranças de uma atitude da administração em relação à situação, que ocorreu no último domingo. “A gente tinha acabado de lanchar quando eu quis ir ao banheiro. Um segurança veio atrás de mim, mas eu ignorei. Na segunda vez que fomos (ao banheiro), outro segurança nos parou e pediu que tivéssemos bom senso, porque estávamos constrangendo as mães lá dentro”, conta, indignada, Thaylla.

Na gravação, é possível ouvir que os agentes solicitaram que elas apresentassem documentos para usar o banheiro feminino. “Antes de a gente ir ao banheiro, o segurança já estava nos seguindo. A gente estava bem-vestida e comprando como qualquer outra pessoa. Foi por puro preconceito”, afirma Giselle. As duas registraram boletim de ocorrência e devem processar o shopping por danos morais.

Segundo o advogado Thiago Coacci, membro da Comissão de Diversidade da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais, elas não poderiam passar por isso. Ele explicou que, apesar de não haver lei que garanta o acesso de transexuais mulheres a banheiros femininos, o Supremo Tribunal Federal sinalizou que a identificação de gênero é autodeclaratória. Ou seja, se elas se dizem mulheres não precisam de procedimentos jurídicos para usar os espaços, disse.

Violência é cotidiana

Para especialistas, a situação sofrida pelas mulheres é um exemplo de violência cotidiana vivida por transexuais. “É um conjunto de gestos que compõem a transfobia. O ponto máximo são as mortes”, diz Carlos Mendonça, pesquisador da UFMG sobre crimes de ódio contra a população LGBT.

Em 2018, 420 gays, lésbicas e transexuais foram mortos no país, diz o Grupo Gays da Bahia. O governo de Minas informou que não tem dados sobre esse tipo de crime.

Outro lado

Resposta. O ItaúPower Shopping confirmou, em nota, a ocorrência do episódio e informou que os funcionários passarão por treinamentos para que saibam respeitar a diversidade.


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