Pais de alunos protocolam abaixo assinado contra escola cívico-militar no Maylasky

Grupo em Sorocaba protocola abaixo-assinado contra a implementação do ensino cívico-militar na escola Matheus Maylasky

Um grupo composto por mães e pais de alunos reuniu cerca de mil assinaturas contra a implementação do ensino cívico-militar na escola municipal Maylasky, em Sorocaba. O abaixo-assinado foi protocolado nesta segunda-feira (15) no Conselho Municipal de Educação.

A ação destaca o fato de a escola em questão manter boa qualidade de educação, com Índice de Desenvolvimento da Educação Básica acima da média nacional, sendo que um dos objetivos do Pecim é atender unidades mais carentes para contribuir para a redução dos índices de violência, melhoria da infraestrutura, redução da evasão, repetência e abandono escolar, sendo assim, segundo o grupo de mães, a escola Matheus Maylasky NÃO apresenta nenhum dos critérios exigidos pelo MEC para ingressar no Programa e além disso NÃO houve ampla discussão sobre tal implementação junto à comunidade escolar, o que torna o processo ainda mais duvidoso.

O grupo salienta que em escolas militares, há muitos relatos de censura em assuntos como racismo, feminismo, homofobia e o Golpe Militar de 1964, temas fundamentais para os alunos possuírem uma formação mais democrática.

Neste modelo, a gestão administrativa das escolas é entregue a militares da reserva das Forças Armadas. Eles atuam, também, como monitores da conduta dos alunos no ambiente escolar. De acordo com levantamento do grupo, o programa é caro: só em 2020, o MEC já destinou R$ 54 milhões para levar a gestão cívico-militar para 54 escolas, sendo R$ 1 milhão por instituição de ensino.

Segundo o grupo, barrar o crescimento e o desenvolvimento do pensamento crítico é o mesmo que silenciar as esperanças em um futuro próspero, inclusivo e capaz de transformar as próximas gerações. É preciso que tenhamos estruturas educacionais que possam ampliar, incluir e fortalecer as capacidades cidadãs de nossas crianças, jovens e adolescentes e não o contrário.

E neste sentido, a implementação da escola cívico-militar está longe de resolver de fato os problemas estruturais da educação, muito pelo contrário, fere a constituição e coloca em risco o desenvolvimento de crianças e adolescentes.