Enfermeiro do Samu se recupera da Covid-19 após 9 dias na UTI e volta para linha de frente

Profissional de saúde se solidariza com colegas que estão com dificuldades, devido a equipe reduzida, para combater o novo coronavírus

Max Rodney Cindra Braga, de 43 anos, passou nove dias em um leito da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital estadual Zilda Arns, em Volta Redonda-RJ. Ele deixou a unidade no dia 29 de abril e, na ocasião, escreveu em uma folha de papel a frase: “eu venci”, por ainda ter dificuldades em falar. Ele decidiu voltar à rotina da ambulância nesta segunda-feira, para combater a doença e atuar “na linha de frente da linha de frente”.

Quando um novo teste comprovou que ele estava curado da doença, Max insistiu com a chefe para que pudesse voltar a trabalhar. Ele se solidariza com os colegas que estão com dificuldades, devido a equipe reduzida, para combater o novo coronavírus. Além disso, o enfermeiro relata que tem muita gente morrendo em decorrência da doença.

Max contou ao Portal Extra o que viu durante o período de internação: “Eu estive dos dois lados do combate à Covid e foi muito triste tudo que eu vi. No meu leito, eu ficava em frente à sala de ressuscitação e, como é difícil reverter uma parada cardíaca de um paciente com coronavírus, eu via entre 3, 4 pessoas morrendo por noite. Sentia vontade de levantar e ajudar meus colegas, mas não conseguia sequer levantar a cabeça”.

Ele sentiu os primeiros sintomas da doença no dia 11 de abril. O enfermeiro foi afastado do trabalho e, após perceber uma intensificação da tosse e da falta de ar, Max precisou ir até uma unidade hospitalar.

“Na ambulância a gente trabalha com todos os equipamentos de segurança, mas pode acontecer de qualquer jeito. Eu posso ter pego de um paciente, assim como posso ter pego no mercado, por exemplo. Eu comecei a sentir os sintomas num domingo e fui para casa. Na segunda-feira, fiz um exame que já detectou que eu estava com 30% do meu pulmão comprometido. Como os sintomas não paravam de piorar e verifiquei no meu aparelho que minha saturação estava baixa, comecei a me preocupar e pedi socorro até a UPA de Belford Roxo, município onde moro. De lá, fui transferido para o Zilda Arns no dia seguinte” relatou.

Foto: Arquivo pessoal

Um novo teste comprovou que Max estava curado e o enfermeiro ficou aliviado ao deixar o hospital. Por todos os percalços enfrentados, Max conta ao amigos e familiares que agora é um “especialista” da Covid-19. Ele faz um apelo:

“Pelo amor de Deus, fiquem em casa, cuidem dos seus idosos, pais, mães… obedeça o que os especialistas falam. Se eles são especialistas, nós não precisamos discutir com eles. As pessoas não estão levando a sério… tanto na Baixada como na capital, tem muita gente andando nas ruas, dando mole… valorizem a vida. E valorizem a enfermagem”.