Bolsonaro faz live com lata de leite condensado

Presidente realizou uma live acompanhado por uma lata de leite condensado

“Estamos há dois anos no governo. E aqui na presidência não tem vinho, não tem nada. Pelo que sei, não tem lagosta…”

Após repercussão de reportagem sobre gastos do governo com alimentos e bebidas, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu fazer a live nas redes sociais com uma lata de leite condensado sobre mesa. Ele voltou a criticar a imprensa e fez referência a um episódio em que o STF (Supremo Tribunal Federal) realizou uma licitação com vinho e lagosta, em 2019.

“Estamos há dois anos no governo. E aqui na presidência não tem vinho, não tem nada. Pelo que sei, não tem lagosta…”, disse ele, em entrevista ao programa “Pingo Nos Is”, da rádio Jovem Pan, antes da live. Apesar da referência ao caso, o presidente não citou o STF nominalmente.

Entre os pedidos da corte no edital constavam medalhões de lagosta, camarões ao vapor e vinhos tivessem ganho “pelo menos quatro premiações internacionais”. A licitação inicial de R$ 1,1 milhão foi suspensa pela Justiça, mas depois liberada pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

Durante a live, Bolsonaro criticou a publicação da reportagem do portal Metrópoles, que apontava gastos do Executivo com alimentos supérfluos como chicletes, bombons, e, principalmente, leite condensado. Segundo a matéria, o Executivo gastou R$ 15,6 milhões só com leite condensado em 2020.

Reportagem do UOL publicada hoje mostrou que os dados apresentados pelo Metrópoles levaram em consideração apenas as contratações feitas em 2019 e pagas em 2020. Considerando o que foi efetivamente pago em 2020, os valores são diferentes: R$ 20,2 milhões em leite condensado, R$ 10,5 milhões em bombons, R$ 48,6 milhões em refrigerantes.

Dados do Painel de Compras, uma das ferramentas de transparência da União, mostram ainda que o montante de pagamentos de itens de alimentação sofreu uma redução expressiva em 2020 em comparação com 2019.

“O que a gente vê nas mídias sociais, há uma explosão de críticas. Algumas ofensivas. Mas a gente está fazendo a coisa certa, não é fácil fazer a coisa certa, por isso alguns políticos chefes do Executivo sucumbem por isso”, pontuou Bolsonaro, durante a live.

Comparação com outros governos
Ainda durante a transmissão, Bolsonaro também celebrou a suposta economia de seu governo e comparou números com outras gestões.

“Fizemos a comparação dos quatro anos anteriores: 2015, 2016, quando era a senhora Dilma Rousseff. O total de gastos com gênero alimentício, presidência da República, R$ 460 mil. Dois anos de Temer, R$ 250 mil. E os dois anos meu agora R$ 26 mil”.

Reportagem da Folha de S. Paulo publicada em dezembro, no entanto, revelou que, até novembro de 2020, fatura mais recente até então divulgada pelo Portal da Transparência, o governo de Bolsonaro teve uma média mensal de desembolso superior ao de Michel Temer (MDB) e próxima à de Dilma Rousseff (PT).

Na gestão atual, foi gasto em média até agora R$ 672,1 mil por mês, para representar uma alta de 51,7% em relação ao governo do emedebista. A despesa em relação à administração da petista foi 2,6% menor.

Por mês, Dilma teve uma média de gastos de R$ 690,2 mil, enquanto Temer despendeu R$ 442,9 mil. Os dados são do Portal da Transparência do governo federal, que reúne informações de 2013 a 2020. Os valores foram corrigidos pela inflação do período.

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