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Há exatos 12 anos, o Brasil chorava a morte da jovem Eloá

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Jovem de 15 anos foi mantida refém por cem horas e morta pelo ex-namorado

Há exatos 12 anos, o maior crime de cárcere privado fez o Brasil chorar, pois teve um fim trágico para Eloá Cristina Pimentel da Silva, de apenas 15 anos.

A menina de cabelos negros compridos e olhos puxados foi morta com um tiro na cabeça e outro na virilha pelo ex-namorado, o motoboy Lindemberg Alves Fernandes, na época com 25 anos.

Apesar do tempo, as marcas do sequestro que parou o Brasil e virou notícia internacional ainda estão nas memórias dos moradores do Jardim Santo André, na periferia de Santo André (ABC paulista).

Eloá morava no apartamento número 24 do bloco 24 do conjunto habitacional do bairro, e lá ficou mantida por cem horas sob a mira de um revólver.

Nas paredes do prédio, ainda há registros dos dias do cárcere, como dois tiros a esmo disparados por Lindemberg. Também há frases pichadas, hoje mais apagadas pelo tempo: “Eloá estamos com você. Lindemberg covarde!” e “Cinco dias de agonia que duas meninas… negligência da polícia ou não?”.

Iraci Leite Souza de Queiroz, 59 anos, que mora no bloco 24 desde 1999, relembra o caso. “Era a Eloá sequestrada lá e a gente sequestrado dentro de casa, sem poder sair”, afirma a ex-merendeira e amiga da família. A área foi toda isolada pela Polícia Militar.

“Eu pintava a padaria quando tudo começou e tivemos de fechar rapidamente”, conta o pedreiro Jovemario Lopes dos Santos, 35 anos, que na época morava no bloco 31.

Hoje, a antiga rua 3, que abrigava o bloco 24, ganhou o nome Cazuza, e vários comércios foram abertos.

Mesmo assim, a referência aos moradores continua sendo o condomínio residencial da adolescente, inclusive para entrega de materiais de construção e móveis.

“Quando me perguntam onde está minha oficina agora, respondo que bem em frente ao prédio da finada Eloá”, diz o mecânico Antônio Rivaldo da Silva, o Arroz, 58 anos.

Lindemberg cumpre pena na Penitenciária 2 de Tremembé (147 km de SP) desde que foi condenado pela Justiça, em 16 de fevereiro de 2012. A juíza Milena Dias determinou pena de 98 anos e 10 meses de reclusão pela morte de Eloá e pelo cárcere privado de Nayara e dos dois amigos que estavam com elas.

Porém, em 6 de julho de 2013, o Tribunal de Justiça de São Paulo reduziu a pena para 39 anos e 3 meses em regime fechado.

Pela lei de Execução Penal, a defesa pode solicitar à Justiça a progressão do regime prisional após cumprimento de parte da condenação por crime hediondo. A previsão da defesa era que Lindemberg ficasse recluso por um período de 10 a 12 anos. Nesse caso, dentro de dois anos ele poderia ir para o regime semiaberto.

O advogado criminalista Fábio Tofic Simantob, que defende Lindemberg, foi procurado pela reportagem na última quinta-feira (11), mas não retornou os telefonemas. Uma das irmãs de Lindemberg, Lindomar Alves, também foi procurada, mas não quis se manifestar.

Eloá Cristina Pimentel da Silva dará nome a uma creche em construção na rua 1º de dezembro, no Jardim Santo André, em Santo André (ABC), segundo a prefeitura da cidade. O prazo de entrega é até 2020.

JUSTIÇA MANDA ESTADO INDENIZAR NAYARA

Também mantida refém no sequestro, Nayara Rodrigues da Silva, hoje com 25 anos e amiga de Eloá, conseguiu, na última semana, vitória em segunda instância na Justiça. Ela move ação contra o governo do estado por danos morais, materiais e estéticos.

Ela foi atingida no maxilar por um tiro dado por Lindemberg. No sequestro, a adolescente chegou a ser libertada pelo ex-motoboy. Porém, foi levada novamente ao apartamento, após decisão do coronel da Polícia Militar Eduardo José Felix, que comandava a negociação.

O Tribunal de Justiça condenou o Estado a pagar indenização de R$ 150 mil. O desembargador Evaristo dos Santos aponta “conduta equivocada dos policiais militares, que a levaram de volta ao local do crime”.

A Procuradoria Geral já recorreu da decisão no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

A PM informou, por nota, que o coronel se aposentou em 23 de maio de 2011. A advogada Cristiane Tomaz disse que Nayara não se manifestaria para “preservar sua vida pessoal”.

TRAGÉDIA IMPULSIONOU DOAÇÃO DE ÓRGÃOS
Após a equipe do Centro Hospitalar Municipal, em Santo André, atestar a morte cerebral de Eloá, em 17 de outubro de 2008, a família da jovem doou sete órgãos da então adolescente, entre coração, fígado, pulmões, rins, pâncreas e córneas.

Isso impulsionou a captação de órgãos no hospital público de Santo André. Ana Cristina Pimentel, mãe de Eloá, virou uma defensora da causa.

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