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Estudo prevê 11,4 mil casos e mais de 500 mortes por covid-19 até julho em Sorocaba

Um estudo sobre a expectativa de evolução do novo coronavírus em Sorocaba, para o final do mês de julho, elaborado pelo professor universitário Flaviano Lima, mostra que a cidade, em um pior cenário, “absolutamente indesejado e que se deve trabalhar para não ocorrer”, de progressão geométrica com taxa diária de 4,09% de crescimento de novos casos, pode registrar até 11.425 casos confirmados e 572 mortes pela doença.

Conforme a pesquisa feita diariamente pelo professor, baseada em dados do Sistema Único de Saúde, Prefeitura de Sorocaba e rede privada de atendimento em saúde, o número de casos confirmados “subiu acima do esperado com o possível afrouxamento da taxa de isolamento no município somando ainda a base de casos que já é grande; por isso Sorocaba corre o risco de recuar nos indicadores de classificação do Estado de SP; é um limite muito tênue”.

Projeção de aumento de casos

Mantido esse ritmo de novos casos confirmados de 4,09% ao dia, partindo de 989 casos em 31 de maio, Sorocaba chegaria em 30 de junho com 3.295 casos (mais 2.306 casos) e, até o fim de julho, com 11.425 casos (mais 8.130 casos).

“Lembramos que são números acumulados e aplicando a taxa real diária entre os dias 01 e 09 de junho ou 4,09% ao dia”, informa Flaviano. “Isso é alto. Temos de ficar em 1% para chegar ao final de setembro com o cenário projetado agora para o final de junho”, esclareceu ele. “Precisamos de um grande engajamento e maior conscientização da população para manter a taxa baixa até que tenhamos medicação eficaz ou a vacina. Até lá será necessário muita disciplina e responsabilidade no retorno ao trabalho e demais atividades do cotidiano”.

Projeção de mortes

Aplicada a atual taxa de letalidade de 5,0%, o cenário para Sorocaba é de 165 mortes acumuladas até 30 de junho (120 a mais) e 572 óbitos até 31 de julho (407 novos óbitos a mais).

Segundo Lima, a taxa geométrica (que é exponencial) de 4,09% ao dia ou 232,87% ao mês “ainda é muito alta (lembrando que não se trata da taxa de transmissão)”. De acordo com o estudo dele, “precisaríamos estar abaixo de 1,0% ao dia ou 34,8% ao mês”.

Crescimento da covid-19 em Sorocaba

Entre os dias 30/04 e 31/05 o número de casos confirmados da covid-19 cresceu 542%, saindo de 154 para 989 casos, com taxa percentual diária geométrica de 6,18%. Conforme Lima, é “fundamental que o número de recuperados ultrapasse o número de novos casos acumulados (e em queda) para inverter a tendência, o que não se evidencia nas projeções até 30 de junho”.

Ao Jornal da Manhã de segunda-feira (8), Lima esclareceu que faz acompanhamento dos dados de Sorocaba desde março. “A projeção para o final de junho e julho não são nada boas mantido o atual ritmo, comprometendo a capacidade de atendimento da rede hospitalar pública e mesmo privada”, pontuou.

Flaviano destaca que o isolamento social registrou, entre março e maio, queda de 10 pontos percentuais e isso está diretamente relacionado ao aumento de novos casos confirmados. “Tínhamos taxa de isolamento entre mínimas e máximas de 46% e 57%; agora ela caiu para um patamar de mínimo 41% e máximo de 47%. Foram 10 pontos absolutos, o que equivale a quase 18% negativo de queda e imediatamente isso elevou os números de covid-19 nas últimas semanas pois é uma relação inversamente proporcional”.

“Os casos que vêm agora são da semana passada. Esses números nos preocupam e assustam, pois estão levando a uma pressão muito grande”, afirmou.

“O problema é o que estamos projetando daqui para a frente com as atuais taxas diárias de novos casos”, alegou o professor. “Segundo os dados da Associação Médica Brasileira, para cada caso confirmado, teremos uma taxa de 20% de internação, destes 5% de UTIs”, completou.

Internações

Como consequência do aumento do número de casos, a maior preocupação é a ocupação diária de leitos na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em hospitais, que em junho podem ser até de 92 pacientes e, em julho, até 135, o que seria o “colapso do sistema”.

Somente para o mês de julho, os atuais cenários para Sorocaba projetam entre 351 e 1.277 pessoas necessitando de internações, de acordo com as taxas diárias percentuais geométricas.

Isolamento social é necessário

Para achatar a curva de crescimento da doença em Sorocaba, Flaviano indica “o aumento estratégico do isolamento social na cidade, maior cuidado das pessoas com uso de máscaras, álcool gel, distanciamento e evitar ao máximos as aglomerações. Atenção quanto ao transporte coletivo, diminuindo a densidade e garantindo limpeza a cada viagem. Quanto ao retorno das aulas, é preciso um melhor estudo, pois envolve grande impacto na medida em que são mais de 210 mil alunos, professores e demais profissionais entre educação básica e superior em Sorocaba, o que representa 30% da população. Por isso insistimos para que as universidades locais colaborem ao lado da sociedade civil com a Prefeitura na elaboração de modelos matemáticos e propostas de reabertura controlada das atividades para garantir maior retorno ao trabalho, aulas e outras atividades de forma responsável e segura, considerando as características de Sorocaba e região, mediando com o Estado as medidas necessárias”.

Fonte: Jovem Pan Sorocaba

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