Após promessa do presidente Jair Bolsonaro, Ministério da Saúde dá sinal verde no SUS para o uso do medicamento.

Paciente terá que assinar termo de consentimento que não dá garantia de eficácia do remédio.

O Ministério da Saúde liberou, na manhã desta quarta-feira (20), o protocolo que autoriza o uso da cloroquina para casos leves de coronavírus. O sinal verde para a utilização do medicamento, que até então estava com aval somente para casos graves da doença, foi dado ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A liberação do uso do medicamento foi assinado pelo ministro-interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, que está no cargo desde quando Nelson Teich deixou o comando da pasta, na última sexta-feira (15). Um dos pontos determinantes para a saída de Teich foi justamente a utilização da cloroquina, ferrenhamente defendida pelo presidente Jair Bolsonaro. Antecessor de Teich no cargo, Luiz Henrique Mandetta também saiu da pasta por discordâncias a Bolsonaro.
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O Ministério da Saúde, no protocolo anterior, publicado em março, liberou o uso da cloroquina somente em pacientes em estado grave em função do coronavírus. O medicamento era fornecido como complemento a outros métodos utilizados no tratamento de pessoas com COVID-19, como assistência ventilatória, que nada mais é que o uso dos respiradores.

Com o novo protocolo, casos leves de coronavírus poderão ser enfrentados com a cloroquina, mediante assinatura de um termo de consentimento por parte do paciente. O documento, no entanto, ressalta que não há garantia de resultados positivos e que não há estudos que comprovam a eficácia do medicamento.

O paciente que assinar o termo de consentimento, de acordo com o documento, deve estar ciente que a cloroquina pode causar efeitos colaterais que podem resultar em “disfunção grave de órgãos, ao prolongamento da internação, à incapacidade temporária ou permanente, e até ao óbito”.

Na noite dessa terça (19), Bolsonaro, em entrevista ao Blog do Magno, afirmou que “toma o remédio quem quer”, fazendo até uma piada com o medicamento.

“Quem for de direita toma cloroquina, quem for de esquerda toma Tubaína”, disse o presidente.

Também na data de ontem, o Brasil registrou um triste recorde de novas mortes, com 1.179 vidas perdidas notificadas pelo Ministério da Saúde em 24 horas. O país já contabiliza 17.971 óbitos. Ao todo, 271.628 casos confirmados de COVID-19.