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Escola pública de Sorocaba vence concurso nacional com projeto sobre a Lei Maria da Penha

A escola municipal “Leonor Pinto Thomaz” em Sorocaba venceu várias escolas de todo Brasil e receberá premiação, em Brasília, por projeto audiovisual

Com o objetivo de debater a violência contra a mulher e relacionamentos abusivos, os estudantes do Ensino Fundamental II da Escola Municipal “Leonor Pinto Thomaz” realizaram, junto com a professora de História, Milene Cristine Martinez Batista, um vídeo intitulado “Prelúdio”. O curta foi vencedor do concurso nacional superando escolas da região sudeste por meio de votações nas redes sociais. No dia 17 de março, a professora e os alunos vão a Brasília para receber a premiação no Salão Nobre da Câmara dos Deputados.

O projeto faz parte do 7° Concurso Nacional de Curtas sobre a Lei Maria da Penha, da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados. Os alunos da “Leonor Pinto Thomaz”, que variavam com idades distintas entre 10 e 14 anos, eram os únicos do Ensino Fundamental, os demais competidores eram todos do Ensino Médio.

Esta é a segunda vez que a unidade vence o concurso, a primeira foi em 2014. O projeto de 2019 teve início em outubro e foi entregue em novembro. Neste meio tempo, os vídeos foram produzidos na própria escola e a equipe contou com estudantes responsáveis pela edição, maquiagem, filmagem e direção. É o caso do estudante, Victor Gabriel Pereira Freitas, que realizou a edição dos vídeos. Ele conta que, toda vez que a turma precisa deste trabalho específico, sempre contribui. “As cenas foram escolhidas em conjunto”, relembra.

De acordo com a professora Milene, as aulas de ética, solidariedade e cidadania contribuíram para as produções dos vídeos. “Os estudantes aproveitaram as aulas no contraturno e realizaram as gravações e edições dos curtas. Eles se debruçaram sobre o projeto e, por meio de um grupo de WhatsApp, trocaram diversas ideias e sugestões sobre as produções dos filmes”, conta.

Em 2019, uma das regras do concurso era projetar curtas com a duração de até um minuto. Milene explica que o trabalho leva o nome de ‘Prelúdio’ porque tem como objetivo “se antecipar aos casos de abuso num relacionamento tendo a intenção de prevenir”. Os estudantes trataram de produzir logo quatro, sendo três deles classificados para as semifinais com mais 10 concorrentes que seriam avaliados por júris técnicos. “Conseguimos emplacar 30% dos vídeos classificados”, celebra a professora.

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Outra regra do projeto é que é necessário ser assinada por um estudante de, no mínimo, 14 anos. Foi o caso de Sofia Helena Honorato Ramos Borodiak, que este ano já não está mais na “Leonor”, mas comemorou a triunfo junto com os antigos parceiros de grupo. “Foi uma honra para mim, eu sempre gostei de fazer trabalhos em grupo, acabei produzindo a cena e me senti muito à vontade para fazer. O tema é muito importante, pois ninguém notava a importância de um abuso no relacionamento, agora é possível ter essa percepção”, disse.

Os temas tratados a respeito de abuso abordaram diversas situações, tais como: ciúmes por causa do uso de celular, proibição de conversa com determinados amigos e até comportamentos agressivos. Milene conta que por causa de a unidade sempre trabalhar temas deste teor com os estudantes, os pais ou responsáveis não apresentaram nenhuma resistência. “A comunidade sempre foi muito participativa e colaborativa neste aspecto”, salientou.

Milene conta que o trabalho criou importantes reflexões a respeito de relacionamentos. “Ao ver o vídeo uma amiga com um bom tempo de casada me contou que se descobriu como abusiva no relacionamento. É um caso curioso, uma vez que os dados mostram que quem mais pratica ações de abuso são os parceiros do sexo masculino”.

Experiente em trabalhos como este, por fazer teatro há seis anos, a aluna Yasmin Miyuki Pereira Otofuji relembra o que foi desenvolvido ao longo trabalho. “Por estar em uma sociedade machista, temas como este geralmente são estereotipados por causa da religião ou até mesmo pela educação familiar. Muitas vezes, a criação acaba contribuindo para um relacionamento abusivo”.

Por fim, a orientadora pedagógica, Adriana Ribeiro, comemora o trabalho de longa jornada realizado na unidade. “Se os nossos estudantes chegam com esta capacidade de reflexão num projeto como este, há um mérito muito grande dos professores pelo bom trabalho feito durante todas as etapas”.