Motorista da 99 faz mãe e filho autista descer os carro após crise do jovem

Imagem meramente ilustrativa

O menino autista começou a chorar e motorista de aplicativo mandou mãe descer com ele do carro em Mogi: ‘Fiquei em choque’

Patrícia Santos Vieira procurou a polícia e denunciou o caso. Mãe diz que filho de 14 anos tem autismo severo e começou a fazer movimentos repetitivos.

Uma mulher, de 30 anos, denunciou à polícia de Mogi das Cruzes nesta quarta-feira (5), um caso de discriminação contra o filho dela, um autista de 14 anos. Segundo Patrícia Santos Vieira, um motorista de aplicativo cancelou uma corrida na segunda-feira (3) ao perceber o transtorno do adolescente. “Entrei em choque no momento. Fiquei muito nervosa”, disse a mãe.

A 99, aplicativo por onde Patrícia pediu a corrida, disse que lamenta profundamente a situação, e reitera que repudia qualquer tipo de preconceito (veja nota completa abaixo).

A mãe ia levar o filho para uma sessão de fisioterapia na piscina, na região central de Mogi. “O motorista me pegou e saiu com o carro. Coloquei o cinto em mim e nele. Meu filho começou a chorar e a balançar a mão. Quando ele olhou e viu que era autista, pelo jeito que chorava e balançava a mão, ele falou: ‘não vou levar, desce, desce, não vou levar!’.

Patrícia contou que o motorista deixou os dois na esquina de casa e que voltaram andando para a casa e perderam a sessão de fisioterapia.

“Sabe quando você fica sem reação nenhuma? Não estava nem sentindo minhas pernas. Voltei para casa e liguei para meu esposo. Contei o que tinha acontecido. No momento da raiva e indignação, fiz uma postagem que teve mais de 3 mil compartilhamentos”, contou.

O boletim de ocorrência do caso foi registrado como crime de “praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência e injúria”.

Esta não foi a primeira vez que Patrícia teve problemas com motoristas. “Outra vez, meu filho estava no carro e comeu uma torradinha e o motorista pediu para eu passar um aspirador de pó. Ele perguntou se eu tinha um. Bati boca e deixei pra lá”.

A mãe conta que não conseguiu retomar a rotina depois do que aconteceu, porque o filho ainda estar nervoso por ter perdido a sessão de fisioterapia. A próxima será apenas na segunda-feira.

“Chega uma hora que a gente cansa. Estou cansada de me isolar, viver escondida em casa. Agora eu vou enfrentar. O que tiver de enfrentar, vou enfrentar.”
Em nota, a 99 informou que, por meio das redes sociais, soube do relato grave da passageira Patrícia Vieira, que teve sua corrida negada por um motorista da plataforma. A empresa disse que tem uma política de tolerância zero em relação a isso.

“A empresa orienta e sensibiliza seus motoristas parceiros a atenderem passageiros com gentileza e respeito. Em seus termos de uso, a empresa ressalta que motoristas parceiros não podem selecionar passageiros por quaisquer motivos, além de tratá-los com boa fé, profissionalismo e respeito. Assim que tomamos conhecimento do caso, banimos o motorista e mobilizamos uma equipe que está buscando contato com Patrícia e seu filho para oferecer todo o apoio e acolhimento necessários. A 99 está disponível para colaborar com a investigação da polícia”, destacou a nota.

A plataforma reiterou ainda que investe continuamente para prevenir esse tipo de situação. A empresa afirmou que realiza periodicamente rodas de conversas para orientar motoristas parceiros a terem uma postura de respeito e gentileza com todos. Além disso, uma nova plataforma de cursos para 100% dos motoristas com foco em diversidade e cidadania. Entre os módulos está práticas de bom atendimento.

Passageiros e motoristas que tenham sofrido qualquer situação semelhante devem reportar imediatamente para a empresa, por meio de seu app ou pelo telefone 0800-888-8999, para que medidas corretivas sejam adotadas.