Conheça o jovem que salvou criança de 5 anos do ataque de pitbull feroz no RJ

Um menino de 5 anos estava andando com a babá em uma rua no Parque Anchieta, bairro na zona norte do Rio de Janeiro, quando começou a ser atacado por um pitbull sem dono. Uma câmera de segurança registrou o momento em que o cão parte para cima do menino, mordendo-o.

A babá tentou parar o animal e, sem sucesso, acabou caindo no meio-fio. Um jovem, que passava pelo local, também entrou em ação. Patrick do Céu, de 20 anos, conseguiu pegar o menino no colo e salvá-lo do ataque.

O pitbull voltou, então, sua atenção para o homem e mordeu suas pernas algumas vezes. Foi então que Patrick levou a criança para um carro e a colocou no teto, para que o cachorro não a alcançasse.

Ainda assim, o animal permaneceu feroz. O jovem tentou espantá-lo, mas só conseguiu solucionar a situação ao subir no teto do veículo junto do menino.

As duas vítimas sofreram apenas alguns cortes e o cachorro foi levado pelos bombeiros. Segundo o site G1, Patrick disse que pensou na própria filha, de 2 anos de idade, e que não se considera um herói.

Veja o vídeo:

Apesar dos elogios que tem recebido, o jovem refuta o título de herói e diz que se lembrou da filha de dois anos enquanto tentava salvar a criança.

— Não sou herói, longe disso. Quando vi o que estava acontecendo, só consegui pensar na Lara. Fiz por aquele menino o que eu faria por ela. Não pensei em mim em nenhum momento, só queria fazer com que ele ficasse seguro. Agi por instinto — contou o rapaz.

Alvo do ataque, a criança estava acompanhada da babá e andava em um patinete. O vídeo mostra que quando o cachorro avança, a mulher ainda tenta puxar o menino, sem sucesso. Patrick entra em cena neste momento. Ele consegue carregar a criança no colo, tenta afastar o cachorro com as pernas e corre para colocar o vizinho em cima do carro. O jovem ainda cai no chão, luta com o animal, e por fim consegue também subir no veículo, onde ambos aguardam por ajuda.

Patrick do Céu disse que pensou na filha Lara, de dois anos, quando decidiu salvar a criança Foto: Arquivo Pessoal

Patrick relata que o cachorro não pertence a nenhum morador da rua e chegou ao local sozinho no mesmo dia do ataque. Até o momento, o dono não foi identificado. Na quinta-feira, o animal seguiu a avó do jovem até a residência da família quando ela retornava de uma clínica. Patrick chegou a alimentá-lo e estava próximo do animal quando ele mordeu a criança.

— Quando ele chegou eu nem queria que ele ficasse por perto, porque sei que o pitbull pode ser perigoso. Mas depois dei água, ração e carinho porque achei que algum dono poderia estar procurando por ele. Quando ele se agitou ao ver a criança, pedi pra todo mundo tentar não demonstrar medo, mas ele avançou. Foi quando corri pra fazer alguma coisa — lembrou o rapaz.

Após o episódio, todos foram ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, e passam bem. O animal foi levado por Bombeiros acionados por um vizinho. O menino teve ferimentos em várias partes do corpo e levou cinco pontos no pescoço. Já a babá ficou com um machucado no braço por conta da queda. Patrick, por sua vez, levou um ponto na mão, e teve ferimentos nas pernas e braços, causados pelas mordidas. Além da bermuda rasgada, o celular do jovem também acabou quebrado.

A instalação de câmeras se segurança na região é uma iniciativa dos próprios moradores, que arcam com os custos do sistema de monitoramento. Líder comunitário e morador da rua, José Ferreira Martins, conhecido como Zé Português, foi quem compartilhou o vídeo do ataque nas redes sociais após falar com todos os envolvidos. Ele foi procurado pelo dono do veículo que aparece nas imagens após o motorista ter percebido que o carro estava danificado.

— Imagine a nossa surpresa quando vimos o que realmente tinha acontecido. Assim que pude, fui encontrar o Patrick e a família da criança, para saber como estavam. Felizmente, tudo terminou bem. Mérito do Patrick. Ele pensou muito rápido e teve muita coragem. O fim dessa história poderia ser trágico. Sabemos que o animal não tem culpa. Provavelmente estava estressado, abandonado, mas fica o alerta para todos — contou o morador.