A falta de chuvas constantes e significativas registrada em Sorocaba nas últimas semanas está refletindo diretamente no nível das represas que abastecem a cidade. Se de um lado a represa de Itupararanga – responsável por cerca de 85% de toda água bruta que depois de tratada é distribuída à população, ainda tem conseguido manter num nível considerado seguro, de outro, as represas da Castelinho e Ipaneminha – que atendem a região do Éden, estão bastante próximas de entrar em colapso. O monitoramento da ocorrência de chuvas na cidade feito pelo Serviço Autônomo de Águas e Esgoto (Saae) de Sorocaba revela que a última chuva volumosa registrada na cidade aconteceu no início de julho, portanto, há três meses. De lá para cá, agosto e outubro foram os piores meses em termos de chuvas.

“Tão preocupante quanto essa falta de chuvas capazes de recuperar os nossos mananciais tem sido a onda de calor extremo que faz com que o consumo dispare e atinja patamares preocupantes”, alerta o diretor geral do Saae, Mauri Pongitor. “Não estamos conseguindo a reposição da água bruta nas represas e o consumo, por conta do calor intenso, tem sido crescente. E os reflexos já são sentidos pela população, principalmente a que mora nas regiões mais altas”, reconhece. O diretor da autarquia entende que tem havido o excesso de consumo e consequente desperdício por parte de algumas pessoas já que, segundo garante, o sistema não está produzindo menos água tratada. “O que há é excesso de consumo mesmo”, reafirma Pongitor.

Cadê a chuva?

De junho para cá os números da média de chuvas registradas na cidade têm sido desanimadores para a recuperação dos mananciais de abastecimento de água bruta da cidade. Monitoramento do regime de chuvas feito pelo Somar Meteorologia aponta que, em junho, a média de chuvas na cidade foi de 32,2mm. Por ser um mês de inverno e, tradicionalmente seco, está dentro do esperado pelos técnicos.

No mês seguinte, julho, a média atingiu 116,4mm de chuvas. Embora seja um volume considerado razoável, a maior parte dessa chuva – cerca de 80mm – caiu em um único dia, que foi o dia 4, ou seja, a maior parte do mês ficou sem chuvas significativas. Em agosto, o índice pluviométrico despencou para apenas 3,7mm ao longo de todos os 31 dias do mês. Em 2018, foram 73,8mm.

Os dados da Somar Meteorologia apontam que setembro apresentava-se como uma leve tendência de recuperação do regime de chuvas, com média de 61,1mm, mas, novamente a maior parte se concentra nos primeiros dias daquele mês, agora com o agravante das temperaturas mais altas e, por consequência, maior consumo pela população. O mês de outubro que se encerra volta a apresentar um índice de chuva muito aquém do esperado para a época. Foram apenas 12,2mm de chuvas. Para se ter ideia, nos mesmos 31 dias de outubro do ano passado, o índice de chuva chegou aos 148,8mm.

Outro dado preocupante, revelado pelo mapeamento das chuvas na cidade realizado pela Somar Meteorologia, diz respeito ao comparativo dos percentuais de chuvas registradas ao longo do ano comparado à média histórica. Enquanto em 2018, o índice de chuvas em Sorocaba chegou a 95% da média histórica prevista, em 2019 esse índice cai para apenas 66% no mesmo período de apuração.

Preocupação e alertas

O Saae tem demonstrado preocupação com a situação decorrente da falta de chuvas significativas e buscado manter a normalidade no sistema de abastecimento. Mauri Pongitor alerta, entretanto, que é fundamental que as chuvas voltem a cair em quantidade e nos lugares certos, que são as cabeceiras das represas. “Estamos fazendo todo o possível, mas precisamos de duas coisas, principalmente: que as chuvas voltem e que a população colabore economizando água, evitando todo tipo de desperdício como a lavagem de quintais, calçadas e carros, por exemplo. O momento é realmente preocupante”, detalha.

O diretor do Saae lembra que nas últimas semanas, o Saae e a Prefeitura têm lançado alertas de riscos de desabastecimento para algumas regiões. Isso tem sido feito pela imprensa e pelas redes sociais dos órgãos oficiais e o objetivo e oferecer à população a informação correta e com alguma antecedência, para que ela possa se prevenir preservando a água que está na caixa das casas. “Sabemos que é um paliativo, mas temos feito a nossa parte e esperamos que a população faça a dela, colaborando e evitando toda forma de desperdício. Não temos como saber com exatidão quando voltará a chover bastante na cidade, por isso é fundamental que todos estejam unidos para que possamos enfrentar este momento complicado”, finaliza Mauri Pongitor.