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Há 30 anos morria Raul Seixas, o eterno pai do rock brasileiro

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No dia 21 de agosto de 1989 morria o roqueiro Raul Seixas, aos 45 anos de idade, vítima de problemas de pâncreas.

Raul Seixas, que era baiano de Salvador, é conhecido como o pai do rock brasileiro e teve como principal parceiro musical o hoje mundialmente famoso escritor Paulo Coelho.

Ele tinha influência de Elvis Presley e Luiz Gonzaga, fazendo uma música que unia o rock e o baião.

Hoje, em todo o país, diversos eventos homenageiam o maluco beleza, artista que permanece com muita popularidade , inclusive entre os jovens.

Nascido em Salvador, em 1945, Raul Santos Seixas foi um dos nomes mais importantes na popularização do rock clássico, fazia questão de adicionar elementos regionais, como o balanço nordestino do baião e os acordes da música caipira e até do choro. Raul é um dos artistas mais queridos e regravados do Brasil.

A cena é comum e independe de quem estiver no palco. O primeiro intervalo entre músicas para surgir o brado, sempre impositivo e a plenos pulmões: “Toca Raul!”. Seja por brincadeira ou desejo sincero, o pedido das plateias mostra que a figura do cantor, cuja morte completa 30 anos nesta quinta-feira (21), ainda permanece perene na música e no imaginário do brasileiro.

Nos cinemas, Seixas foi tema de um documentário do diretor Walter Carvalho, em 2012, sucesso de crítica. Atualmente, pode ser visto no longa “Não Pare na Pista”, cinebiografia do amigo e parceiro espiritual Paulo Coelho, na pele do ator Lucci Ferreira.

Clássicos da música brasileira e também de uma mudança de paradigma geracional, “Ouro de Tolo”, “Mosca na Sopa”, “Metamorfose Ambulante” e “Maluco Beleza”, jamais deixaram de encontrar ecos nas rádios, nos discos físicos e nas playlists da internet – e dificilmente um dia deixarão.

Relembre músicas de Raul Seixas:

Ok, eles tocam Raul. Mas qual do Raul? A resposta ao pedido disseminado pelas plateias do País, o quase temeroso “toca Raúl!”, pode estar nas listas que o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de Direitos Autorais (Ecad) divulgou nesta semana.

Antes de se tocar, ou de pedir por Raul, pode ser interessante saber quais as dez músicas do roqueiro são as mais interpretadas e quais as mais gravadas no País.

O levantamento feito pelo Ecad é inédito, elaborado como forma de lembrar, nesta quinta-feira, 21, dos 25 anos sem Raul. Os rankings levam em consideração execuções em rádios, shows, casas de festas, música ao vivo e casas de diversão nos últimos cinco anos. Audições via internet ou downloads não constam no controle do Ecad.

A segunda lista mostra as dez músicas de Raul mais regravadas até hoje. O artista tem, ao total, 299 obras e 322 fonogramas cadastrados no banco de dados do escritório.

As dez músicas mais executadas de Raul Seixas:

1 – Maluco beleza (Claudio Roberto/Raul Seixas)

2 – Tente outra vez (Paulo Coelho/Marcelo Motta/Raul Seixas)

3 – Metamorfose ambulante (Raul Seixas)

4 – Aluga-se (Claudio Roberto/Raul Seixas)

5 – Gita (Paulo Coelho/Raul Seixas)

6 – Medo da chuva (Paulo Coelho/Raul Seixas)

7 – Cowboy fora-da-lei (Claudio Roberto/Raul Seixas)

8 – O carimbador maluco (Raul Seixas)

9 – Eu nasci há dez mil anos atrás (Paulo Coelho/Raul Seixas)

10 – Ainda queima a esperança (Mauro Motta/Raul Seixas)

As dez obras mais regravadas de Raul Seixas:

1 – Medo da chuva

2 – Gita

3 – Se ainda existe amor

4 – Maluco beleza

5 – Metamorfose ambulante

6 – Ainda queima a esperança

7 – Tente outra vez

8 – Como vovó já dizia

9 – O trem das setembro

10 – Cowboy fora-da-lei

“Gita” (1974)
Maior clássico de Raul, tem a letra composta em parceria com Paulo Coelho, grande parceiro de Raul nos anos 1970. Em letra enigmática que lida com os vários mistérios da vida, Raul divulga como poucos a filosofia do mago ocultista Aleister Crowley, pregando o bem e o mal como sendo uma coisa só. O início, o fim e o meio.

“Ouro de tolo” (1973)
Letra irônica e politizada de Raul Seixas. Era uma grande sátira ao “milagre econômico” dos anos 1970, e ironizava o estilo de vida do brasileiro padrão. “Eu devia estar sorrindo e orgulhoso por ter finalmente vencido na vida, mas eu acho isso uma grande piada e um tanto quanto perigosa”, canta Seixas.

“Mosca na sopa” (1973)
Clássico não tão lembrado do repertório de Raul, a música é um dos primeiros sons a misturar o rock com os ritmos tradicionais nordestinos, como xaxado e baião. Antes mesmo da turma do Manguebeat, Raulzito sabia misturar como ninguém.

“Metamorfose ambulante” (1973)
Ritmo lento, sons psicodélicos, letra contraditória. A música é talvez a mais memorável de Raul. Nela, ele versa sobre não manter as mesmas concepções sobre as coisas durante toda a vida. Afinal, é melhor ser uma metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

Sociedade alternativa” (1974)
Mais uma letra que remete aos ensinamentos de Aleister Crowley. Nela, Raul prega o desprendimento, propõe ao ouvinte não se limitar pelas convenções sociais. “Faze o que tu queres, há de ser tudo da lei”.