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Estado de SP irá equipar Policiais Militares com fuzis e metralhadoras do “Rambo”

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A Polícia Militar (PM) de São Paulo está lançando no Brasil e no exterior os editais para a compra de grande quantidade de armamento para equipar os Policiais do estado. Entre as armas do edital, estão previstas 40 mil pistolas calibre .40, 1.300 fuzis calibres 5.56 e 7.62, dois fuzis de sniper (atirador de precisão) e 10 metralhadoras leves de calibre 7.62 mm, semelhantes às usadas por Sylvester Stallone nos filmes Rambo.

Os equipamentos serão entregues até o final de 2020 e custarão R$ 108,9 milhões. A informação foi anunciada pelo secretário-executivo da PM junto à Secretaria de Segurança Pública, coronel Álvaro Camilo na noite desta terça-feira (25).

A PM paulista não compra metralhadoras há mais de 60 anos. Elas serão usadas para a proteção de presídios e o combate a ataques a carros-fortes e empresas de transporte de valores.

Entre os modelos de metralhadoras leves que poderão participar da concorrência, cuja previsão de publicação é agosto, estão alguns modelos preferidos pelos policiais paulistas, como a FN Minimi (utilizada pelas Forças Armadas brasileiras), a M249, a Heckler & Koch MG4 e a Negev NG7.

Fuzil que abate helicóptero

Todo este material já tem autorização pelo Exército para ser adquirido, mas a corporação quer mais: pretende convencer os militares de que precisa comprar fuzis de calibres .30 e .50, restritos das Forças Armadas, mas que são usados por criminosos, podendo perfurar veículos blindados, destruir paredes e até derrubar helicópteros.

Em 2010, a PM tentou comprar os fuzis de calibre .30 e .50, mas o Exército não deixou. No entanto, diante da possibilidade de o Primeiro Comando da Capital (PCC) resgatar presidiários que estavam em unidades prisionais no interior do estado, entre eles Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, o Exército emprestou por 6 meses à PM estes fuzis e treinou policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) para operar o equipamento.

Licitação internacional

Segundo Camilo, “o governador (João Doria) autorizou a compra de 40 mil pistolas semiautomáticas agora, sendo que pelo menos 8 mil devem ser entregues até dezembro”. A licitação está sendo divulgada em outros países e tem previsão de publicação no Diário Oficial do Estado em 10 de julho, com a assinatura do contrato em novembro.

Há dois anos, a PM fez a primeira licitação internacional para a compra de pistolas, quando a fabricante austríaca Glock sagrou-se vencedora. Até então, o monopólio do mercado pertencia à brasileira Taurus. Isso acabou quando o armamento nacional passou a apresentar problemas, como disparos acidentais. “A PM compra Taurus porque não podia comprar outra arma, a verdade é esta. Sempre se tentou comprar outras”, salientou Camilo.

A partir do problema em São Paulo, o Exército passou a autorizar as polícias de todo o Brasil a comprar pistolas do exterior. A Glock, já utilizada pela Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, sagrou-se vencedora em muitas licitações.

“A polícia vai investir pesado em armamento. Queríamos comprar armamento de fora, mas, por uma questão legal, não era permitido. Agora, com todos estes problemas que aconteceram com a empresa Taurus – inclusive, foi feita uma aquisição de quase 5 mil metralhadoras, que apresentaram problemas e foram recolhidas – o Exército autorizou a compra internacional de armas”, disse Camilo.

Sobre o fato dos policiais passarem a usar nas ruas diferentes tipos de pistolas – alguns com Taurus, outros com Glock, e outros com outros tipos, que poderão ser adquiridos na nova licitação, o oficial diz não haver problema.

“Não existe padronização neste caso. Eu posso comprar armas que atendam aos requisitos específicos. Qualquer marca pode entrar nesta licitação, e há outras marcas, que não a Glock. Claro que há a probabilidade da Glock ganhar. Mas há outras empresas internacionais que poderão participar de igual para igual, e irão brigar pelo preço”, defendeu o secretário-executivo.