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Mãe reencontra filho 38 anos após criança ser raptada de hospital ao nascer; vídeo

Sueli Rochedo morava em um orfanato e tinha 18 anos quando recém-nascido foi sequestrado. Essa semana ela encontrou o filho, na Paraíba.

Sueli Gomes da Silva Rochedo, de 56 anos, tinha 18 anos quando viu pela última vez o filho. O bebê, recém-nascido foi levado da porta da maternidade, no Distrito Federal, em 1981.

Essa semana, depois de 38 anos de buscas, a brasiliense reencontrou o filho na casa onde ele mora, na Paraíba. A criança, que Sueli chamou de Luiz Miguel ao dar à luz, foi localizada pela Polícia Civil do DF no ano passado, após 6 anos de investigações.

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Veja o reencontro:

Ele foi registrado como Ricardo Santos Araújo. Um exame de DNA, que ficou pronto no dia 24 de abril, comprovou que o corretor de imóveis que vive no Nordeste é, de fato, o recém-nascido sequestrado no Distrito Federal.

O nascimento de Luiz Miguel

Sueli Gomes da Silva Rochedo perdeu a mãe quando tinha 7 anos. Era a mais velha de cinco irmãos.

Ela conta que o pai, alcoólatra, batia nos filhos. Foi o avô quem decidiu levar as cinco crianças para o orfanato que havia na região do Guará, no Distrito Federal, em 1970.

Sueli Gomes da Silva Rochedo, de 56 anos, tinha 16 quando teve seu bebê raptado no Hospital do Gama em 1981 — Foto: Divulgação

Ainda morando no orfanato, Sueli ficou grávida. O bebê, que ela chamou de Luiz Miguel, nasceu no dia 9 de fevereiro de 1989, no Hospital do Gama.

Sueli lembra que foi para o hospital acompanhada por funcionários do orfanato. Ao receber alta, disse que foi convencida a deixar o filho com o casal da instituição onde morava enquanto faria uma ligação telefônica para a gestora do abrigo.

Ela diz que caminhou cerca de 20 metros até um orelhão, de onde falou com a mulher. Ao voltar, não encontrou mais o recém-nascido.

Durante o telefonema, a gestora do abrigo teria afirmado que não queria o bebê na instituição. Sueli explica que foi obrigada a “permanecer calada e a não tocar mais no assunto”.

Ainda adolescente, ela aponta que foi levada a farmácias para tomar remédios que fizessem o leite secar. Anos mais tarde, a mulher do abrigo contou que o bebê havia morrido.

“Era um mix de sentimentos. Uma pessoa em que eu acreditava dizia que ele morreu, mas pensava: ele tinha morrido de quê?”.

A investigação

Em 2013, Sueli Gomes da Silva Rochedo decidiu levar o caso à polícia. Segundo o delegado Murilo de Oliveira, da 14ª DP, na época, a polícia tinha, pelo menos, 15 linhas de investigação.

Uma delas levou os agentes ao porteiro do médico que fez o parto da jovem, no hospital do Gama. Em depoimento, o porteiro disse que registrou a criança com o nome de Ricardo Santos Araújo em 11 de fevereiro, dois dias após o nascimento. Mas não informou à polícia como recebeu o bebê.

Na época, o registro indevido de criança não era considerado crime. O caso foi arquivado e o porteiro não vai responder criminalmente. A principal suspeita do crime, a gestora do orfanato, morreu em 2012, antes que Sueli registrasse ocorrência.

Segundo o delegado Oliveira, a polícia não encontrou registros do nascimento da criança no hospital do Gama. Mas durante as investigações, Sueli lembrou de um detalhe que foi foi fundamental para a investigação: o bebê havia nascido com os dedos grudados.

“Quando localizamos o rapaz, ele disse que tinha feito uma cirurgia para separar os dedos. Era demais para ser coincidência.”

Depois do encontro entre Sueli e Ricardo, mais uma coincidência: as duas mães dele fazem aniversário no mesmo dia. Sueli diz que não guarda mágoas.

“Pela luz do céu, não sinto ressentimento. A gente só dá o que tem. Mesmo jovem, não permiti que o que eu tinha passado me transformasse em uma pessoa ruim.”

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